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19/12/2006

UMA AVENTURA

 

Lá pelos idos de 1947, eu e meu irmão Luiz, resolvemos ir até a Fazenda do Sr. J... Q... F... e de Dona G..., localizada no município de Cruz da Esperança (naquela época talvez pertencente à Comarca da São Simão), numa distância de mais ou menos 50 Km, isso de BICICLETA, não existia Câmbio e nem Breque seguro (era somente sapatas e varão), a estrada era puro areião e aproximando de Serra Azul tivemos que descer a serra.

 

A PARTIDA

Partimos de Ribeirão Preto, não recordo bem a hora, como se fôssemos desbravadores.
Na altura da Lagoinha, ainda em Ribeirão, levei um tombo na areia e quase desisti, meu irmão me reanimou.
Seguimos viagem lutando contra a areia da estrada que dificultava e prendia as bicicletas, finalmente chegamos no topo da serra em Serra Azul.

 

A DESCIDA DA SERRA

Para maior segurança, ajustamos as sapatas dos freios dianteiros bem coladas no aro e iniciamos a decida da serra, que era muito íngreme e com muitas pedras, mas conseguimos chegar ao sopé da montanha são e salvos com as mãos doloridas pelo esforço na alavanca de freio.

 

A TRAVESSIA DA BALSA NO RIO PARDO

Após passar por Serra Azul chegamos no rio Pardo, isso já pelas Sete horas da noite, onde tivemos que atravessar em BALSA (naquele tempo ainda não tinha ponte), como estávamos na margem contrária onde se encontrava o balseiro e como não tinha mais ninguém, para chamar a atenção do balseiro tivemos que girar a roda dianteira das bicicletas para acionar os faróis; O balseiro se aproximou lentamente e nos atendeu, dizendo que ia nos transportar porque éramos amigos do Sr. J... Q... F...

Passando pela cidade de Cruz da Esperança, pedimos informações para localizar a estrada para a fazenda e ai conseguimos chegar ao nosso destino lá pelas 10 horas da noite, mortos de cansaço, mas felizes por termos conseguido a proeza.

 

A CHEGADA

Fomos recebidos pela Dona G..., que nos atendeu muito bem, com ótimo jantar.

Após o jantar e de bastante conversa, fomos dormir.

No dia seguinte passeamos pela propriedade, os currais e ao vermos o gado, Dona G..., brincalhona como sempre, disse ao Luiz, que todo o gado com a marca 0 debaixo do rabo era dele; foi uma gozação.

 

O RETRONO

Após o almoço e ciente da dificuldade de subir a serra, optamos por voltar de trem, pela hoje extinta Ferrovia “São Paulo-Minas”, onde embarcamos as bicicletas como bagagem e chegamos em Ribeirão Preto, na estação final que era nos fundos da concessionária Ford, encerrando nossas peripécias.

 

É o que consegui recordar, depois de tanto tempo.

Obrigado – Victor Lopes Velludo Filho

Contabilista – Despachante Policial – Diretor Auto Escola


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